Paraguay deve crescer o dobro do Brasil em 2026

O Paraguay deve crescer o dobro do Brasil em 2026: entre 4,5% e 5%, segundo FMI, Banco Mundial e Banco Central. Os três também mostram onde a economia está perdendo força.

As três projeções saíram em outubro. O FMI elevou a do Paraguay para 2026 de 4,4% para 4,5%, segundo o ABC Color, que cobriu as reuniões anuais do Fundo em Bangkok. O Banco Mundial projeta 4,7%. E o Banco Central do Paraguay subiu a sua de 4,5% para 5%, no relatório de política monetária divulgado em 16/10. Para o Brasil, o FMI projeta 2,2% e o Banco Mundial, 2,1%. A média da América Latina fica entre 2,1% e 2,2%.

Na lista do FMI, só a Venezuela aparece acima do Paraguay na região.

O que está puxando

Segundo o Banco Central, o crescimento vem de serviços, comércio e energia. A projeção para o comércio subiu de 3,5% para 5,1%. A de eletricidade e água, de 7,4% para 12,8%. A de exportações, de 3,5% para 5%.

A indústria de exportação tem um motor próprio: a maquila, regime em que empresas produzem no Paraguay para vender fora com imposto reduzido. De janeiro a setembro, exportou US$ 1,15 bilhão, segundo o Ministério da Indústria e Comércio, e cresce cerca de 25% ao ano, segundo o vice-ministro Javier Viveros. São 36.382 empregos e 70% das exportações industriais do país. Três quartos dos envios vão para o Mercosul. Autopeças, roupas, bebidas e alumínio somam 69% do total.

O que está perdendo força

O Banco Mundial estima que a economia cresceu 6,6% em 2025. As projeções para 2026 são menores, e as de 2027 caem mais: 4% pelo FMI e 4,1% pelo Banco Mundial.

No mesmo relatório em que subiu a projeção de crescimento, o Banco Central cortou a do investimento: a formação de capital passou de 3% para 2,2%. O setor primário caiu de 3,8% para 2,9%, e a pecuária deve encolher 4,5%. O Banco Mundial, por outro lado, cita "investimento privado sólido" entre os motivos do bom desempenho do país. As duas instituições olham o investimento de formas diferentes.

O que vem

Os riscos que as três instituições apontam são os mesmos: o conflito no Oriente Médio e o preço do petróleo. O Banco Mundial acrescenta o El Niño, que pode afetar a geração de energia e a safra. Na sexta 23/10, o Banco Central decide os juros, hoje em 5,50% ao ano.

A leitura da Mesa

Crescer o dobro do Brasil com inflação de 1,7% é uma combinação que quase nenhum país da região tem hoje. É o dado que sustenta a ideia de vir para cá.

Mas o crescimento não está espalhado por igual. Ele está em serviços, comércio e energia. O campo cresce menos, a pecuária encolhe e o investimento desacelera.

A conta que vale: se você pensa em abrir negócio ou investir no Paraguay, olhe onde a demanda está crescendo, e não só o número do PIB. Os setores que puxam 2026 não são os mesmos que puxaram os anos anteriores.

Se você fosse abrir um negócio no Paraguay hoje, em qual setor seria? Comenta aqui embaixo.


Fontes: ABC Color, 15/10 (FMI) · ABC Color, 06/10 (Banco Mundial) · Revista Plus, 16/10 (Banco Central) · ABC Color, 16/10 (maquila) · Foto: Cmasi, Wikimedia Commons