Inflação no Paraguay fica em 1,7%, contra 4,58% no Brasil
A inflação do Paraguay está entre as três menores da América Latina. Desde 2023, a costela subiu 50%. Os dois números estão certos.
Em setembro, os preços no Paraguay subiram 1,7% em 12 meses. Num ranking da Bloomberg Línea publicado pelo ABC Color em 16/10, só Costa Rica e Equador ficaram abaixo. O Brasil fechou setembro em 4,58%. O Uruguai, em 4,68%. A Argentina, em 33,4%.
Na mesma semana, o Banco Central do Paraguay revisou a projeção de inflação para o ano, de 3,3% para 3%. E subiu a de crescimento, de 4,5% para 5%.
Por que os dois números estão certos
O índice mede velocidade, não altura. Ele diz quanto os preços subiram nos últimos 12 meses. Não diz quanto custam hoje comparado com quando você chegou.
E a velocidade caiu. Nos 12 meses até agosto de 2025, a comida subiu 10%. Nos 12 meses seguintes, 0,1%. Em agosto, só 32,7% dos itens da cesta do Banco Central ficaram mais caros, quando a média histórica é de 44,8%. Arroz, leite, queijo, massas e verduras baixaram no mês.
A altura ficou. Desde agosto de 2023, os alimentos subiram cerca de 17% no índice do Banco Central. A carne bovina, 37%. O vazio, 55%. A costela, 50%. Segundo o ABC, o quilo que custava cerca de G. 40.000 chega a G. 70.000 em alguns lugares. A comida parou de subir. Não voltou ao preço antigo.
Onde aperta
O economista Víctor Raúl Benítez, ouvido pelo ABC, diz que o problema do paraguaio não é preço, é renda: a cesta básica subiu muito mais que os salários.
Para Benítez, o salário não acompanha porque a produtividade do trabalho no Paraguay é baixa em comparação com a dos vizinhos.
O jornal registra outro sinal. O financiamento em cartões com limite de até G. 3 milhões subiu até 50% em 12 meses. Segundo o ABC, são cartões que costumam ser usados no supermercado. A matéria não informa a origem do dado.
O que vem
O Banco Central espera que a inflação suba até 3% no fechamento do ano e depois se aproxime da meta de 3,5%. Os riscos que o próprio banco aponta são o conflito no Oriente Médio, o preço do petróleo e o clima sobre a safra.
Os juros estão em 5,50% ao ano desde fevereiro. A próxima decisão é na sexta, 23/10. No Brasil, o mercado projeta inflação de 5,22% para o fim do ano.
A leitura da Mesa
O 1,7% é real e é bom sinal. Em 12 meses, o preço no Paraguay mudou menos do que em quase todo o continente, e o Banco Central ainda revisou a projeção para baixo.
Mas o índice não é o seu custo de vida. Ele mede em guaranis, sobre uma cesta que não é a sua. Se você recebe em reais ou em dólares, o câmbio entra na sua conta e fica fora do índice. Se você chegou nos últimos três anos, pagou o salto da carne, e esse salto não aparece no 1,7%.
A conta que vale é a sua: quanto você gasta por mês em guaranis hoje, contra o mesmo mês do ano passado, e quanto isso custa em reais no câmbio do dia.
Qual preço no Paraguay mais te surpreendeu desde que você chegou, pra cima ou pra baixo? Comenta aqui embaixo.
Fontes: ABC Color, 16/10 · ABC Color, 04/09 · Revista Plus, 16/10 · La Nación, 22/09 · Foto: Gustavo Fring, Pexels