A luz de casa no Paraguay custa um terço da do Brasil

A luz de casa no Paraguay custa US$ 0,056 por kWh, contra US$ 0,166 no Brasil. Um estudo feito para a ANDE recomenda subir a tarifa residencial em 39,4% até 2030.

Entre 20 mercados da América Latina e do Caribe, só Cuba e Suriname têm luz residencial mais barata que o Paraguay. O dado é da GlobalPetrolPrices, com a média de 2023 a 2026, e foi publicado pela Bloomberg Línea e pelo ABC Color em 13/10. Para empresas, o Paraguay tem a menor tarifa da amostra: US$ 0,047 por kWh.

Por que é tão barata

A matriz elétrica paraguaia é 100% renovável, quase toda vinda de Itaipu e Yacyretá. A do Brasil é 87% renovável, segundo o mesmo levantamento. De janeiro a setembro, Itaipu entregou 21.619 GWh à ANDE.

Há outro motivo, menos visível: a tarifa não cobre os custos da estatal. Um estudo do CEARE, centro ligado à Universidade de Buenos Aires, financiado pelo BID dentro de um programa do país com o FMI, mostra que a ANDE não atinge a rentabilidade prevista em lei há mais de duas décadas. A dívida de longo prazo deve chegar a US$ 1,66 bilhão em 2026.

O que o estudo recomenda

O CEARE propõe reajustar as tarifas entre 2026 e 2030. Na baixa tensão, que inclui as casas, a média passaria de US$ 55,80 para US$ 77,80 por MWh, alta de 39,4%. Na alta tensão, usada pela indústria grande, de US$ 35,30 para US$ 51,40, alta de 45,6%. O estudo também recomenda um reajuste automático anual pela inflação.

É recomendação, não decisão. Segundo a La Tribuna, o aumento não está aprovado. O novo presidente da ANDE, Miguel Báez, disse que a estatal ainda vai fazer o próprio estudo para definir "se aumenta ou se deixa igual, e em que proporção". Ele também disse que os usuários "devem pagar o que realmente corresponde".

A pressão da demanda

O consumo de energia cresceu 18,3% no primeiro semestre de 2026, comparado ao mesmo período de 2025, segundo a ANDE. A estatal alerta que, nesse ritmo, o país pode usar toda a potência de Itaipu e Yacyretá em poucos anos, e projeta uma demanda de cerca de 11.000 MW em 2043.

A mineração de criptomoedas responde por 803 MW em 2026, de uma demanda total de cerca de 5.000 MW. Os contratos dessas empresas vencem em 31/12/2027.

O que vem

A ANDE não deu prazo para o próprio estudo da tarifa residencial. Para as empresas, estuda uma tarifa por nível de tensão, igual para todo investidor, ainda sem data de publicação. E o Anexo C de Itaipu, que define o preço da energia da usina, está em revisão e vence este ano.

A leitura da Mesa

A luz barata do Paraguay é real e deve continuar sendo. Mesmo com os 39,4% do estudo, a média da baixa tensão iria para cerca de US$ 0,078 por kWh, menos da metade do que o Brasil paga hoje. A conta é aproximada, porque o ranking e o estudo medem a tarifa de formas diferentes, mas a distância é grande o bastante para sobreviver ao reajuste.

Para uma casa, a recomendação é simples: conte com a luz barata, mas não com a luz congelada.

Para quem planeja uma operação de alto consumo, como indústria, data center ou frio, a conta é outra. Faça o plano com a tarifa atual mais 45,6% e veja se o negócio continua de pé. A tarifa industrial por nível de tensão ainda não saiu, e é ela que vai valer para quem chegar.

Quanto você paga de luz por mês no Paraguay, e quanto pagava no Brasil? Comenta aqui embaixo.


Fontes: ABC Color, 13/10 · GlobalPetrolPrices · ABC Color, 06/08 · La Tribuna, 24/08 · RDN, 04/08 · La Nación, 24/07 · Foto: Rodney Damián, CC BY-SA 3.0